domingo, agosto 16, 2009 0 comentários

No abrir das cortinas


"O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja"
(Augusto dos Anjos)

Se a proposta do espetáculo é fazer pensar, ele nos faz raciocinar e muito! Escrito por Gilberto Freire (que não é o mesmo de “Casa-Grande e Senzala”), o texto é complexo, fascinante, envolvente e bem interpretado pelo elenco.

A peça dura, aproximadamente, cinqüenta minutos. É preciso muita atenção para que se compreenda o enredo. A ação dramática põe em conflito as ações dos irmãos Zaqueu e Argemiro, que ora são antagônicos ora são semelhantes.

A cenografia, a direção, os efeitos de luz transmitem toda a dramaticidade que o texto quer nos passar. O fio condutor da trama é a dupla traição de Zaqueu e Marlene, irmão mais novo e esposa de Argemiro.

A tensão se estabelece com a volta de Zaqueu para casa. As personagens fazem um flash-back narrativo, para explicar por meio do passado as atitudes do presente.

Marlene, que não aparece em cena, é descrita como uma mulher bonita, sedutora e irresistível. Tal revelação me fez lembrar de outras mulheres fatais como Salomés, Dianas e Lolitas. A traição e o abandono não foram suficientes para que Argemiro a esquecesse.