Hoje tem!

segunda-feira, maio 17, 2010 • • 5 comentários

Cineclube convida espectadores para o debate

Toda segunda-feira, às 19h, pontualmente, o Teatro Ferreira Gullar abre as portas para a exibição de sessões de cinema. Desde 2001, o Projeto
Cinema no Teatro apresenta obras fílmicas que não são facilmente encontradas nas locadoras ou na única sala de cinema da cidade. Clássicos, filmes que estão fora do circuito comercial, produções locais, produções alternativas, filmes nacionais, etc. A variedade de temas escolhidos pode ser entendida como um meio de democratizar o acesso à Sétima Arte. No entanto, engana-se quem pensa que o filme é a única atração da noite. O xou começa quando o técnico do teatro acende as luzes... É hora do debate!

Um convite à reflexão, o debate possibilita a expressão de diferentes pensamentos no mesmo lugar. Há quem se identifique com a trama, há quem rejeite as personagens, há quem se encante com o enredo. Uns falam, outros escutam. Os papéis se invertem a todo momento. Os participantes que têm técnica, conhecimento, gosto apurado contracenam com os que mal sabem pronunciar o nome de tal diretor: “Kieślowskio o quê?” O Cinema no Teatro garante a manifestação de pensamento e a pluralidade de vozes.

Também é possível observar que, no decorrer dos anos, o público se ampliou. Não só em quantidade, mas em representatividade. As poltronas já não são mais ocupadas pelos cinéfilos, cults, cdf´s e os que estampam a estrela de Guevara. É cada vez mais notória a presença de católicos, protestantes, ateus, socialistas, neo-liberalistas, anarquistas, apartidários e à-toas. Gente com noção. Gente sem noção. E o mais importante, todos cheio de argumentos, numa linguagem acessível, onde é aceitável a informalidade e o uso de gírias.

O filme possibilita autoconhecimento. Godard, Buñuel, Fellini até Carlos Henrique Brandão são minuciosamente apreciados e analisados. Os espectadores lançam olhares sobre amizade, amor, paixão, separações, drama familiar e rupturas que fazem parte da trajetória humana. Questões políticas, sociais, econômicas são relacionadas à vivências individuais. As opiniões revelam o processo de catarse de quem fala. Dessa forma, a riqueza é não existir ponto central no debate. Na discussão há prós e contras, mas não há vencedores nem vencidos.

E não pára por aí, a organização do cineclube utiliza as redes sociais como mecanismos de promoção e participação popular. Para dar continuidade ao debate e ampliar a participação daqueles que ainda não se sentem tão à vontade para falar, mas conseguem escrever em 140 ou mil caracteres, os perfis no Twitter, Blogspot e Orkut podem ser facilmente encontrados. Tem espaço para todos. Por essas e outras, o Projeto Cinema no Teatro merece aplausos e um grito de Bravo!






(Tanta violência, mas tanta ternura)

quinta-feira, maio 13, 2010 • • 3 comentários

A dinamicidade das imagens em “Terra em Transe”

A realidade social da América Latina, marcada por desigualdades, é a temática abordada no longa-metragem “Terra em Transe”, de Glauber Rocha. A estrutura narrativa do filme é crítica. É possível observar a arte engajada do cineasta, que propõe uma reflexão sobre a política e o processo social dos países subdesenvolvidos. Utilizando o flash-back narrativo, o diretor volta no tempo para explicar, por meio do passado, certas atitudes das personagens. Logo no início do filme, é apresentada uma visão aérea do oceano. A câmera corre lateralmente. Essa varredura, da esquerda para a direita, desloca rapidamente a imagem e sugere a imensidão das angústias e ações do homem. Dessa forma, a personagem principal vai revendo e ressignificando os acontecimentos e suas visões de mundo.

Raramente vemos a câmera parada no filme. Essa movimentação caracteriza a dinâmica da narrativa. Espaços amplos como o mar, o céu, o deserto. A busca pelo vôo alto e o mergulho profundo são cobertos por vários ângulos no momento da filmagem. Isso estabelece uma interação entre os espaços, ações e personagens. Quando um grupo de pessoas conversa, num lugar aberto, a câmera acompanha os movimentos. Esse deslocamento reitera a idéia de diálogo. Como a seqüência dramática é determinada pelo lugar e pelo tempo, a alternância nos planos sugere a dinamicidade do filme.

A câmera fixa traz o efeito de movimento psicológico e não fisiológico. Em vários momentos, o poeta Paulo (protagonista do enredo), se encontra parado, mas com a cabeça envolta à pensamentos angustiantes e, muitas vezes, anárquicos. Em função dele, organiza-se a narrativa. As características psicológicas, físicas e sociais que formam a personagem, são utilizadas por Glauber Rocha como composição da estrutura dramática, captada pelas modificações dos planos. Há cenas externas, filmadas ao ar livre, e cenas em casarões, na redação do jornal, na rua. O enredo mostra a transição da protagonista do interior para a capital. Lugares mais representativos da cidade servem como pano de fundo para o desenrolar da história.

O conflito das personagens representa o embate entre as forças (físicas e intelectuais) do povo e de quem está no poder. Com isso, “Terra em Transe” é marcado pela espetacularização de cenas do cotidiano. A câmera é tratada como "participante da ação". As personagens olham diretamente para a lente, dando a impressão que o telespectador também participa da cena. A ficção a partir de um tema real é aproximada de planos que remetem proximidade, distanciamento, imposição, submissão, etc. Como exemplo, a câmera acima da multidão que acompanha o político populista dá a idéia de vigilância. Todos caminhando em mesma direção, como numa boiada. São imagens que sugerem liberdade, mas são dominadas. A câmera é o boiadeiro que não permite a fuga de um dos animais. Já com o político no palanque, proferindo um discurso cheio de promessas, é possível visualizar a câmera se posicionando abaixo do candidato. Isso remete à submissão da população.


O diretor não utiliza apenas os recursos dos planos feitos em plongée, de cima para baixo, e contra-plongée, de baixo para cima. O Close-up enfatiza um detalhe, pormenorizando uma ação. Ao enquadrar apenas a cabeça, detalhes do rosto das personagens, as expressões faciais se tornam bastante nítidas, aumentam a carga de dramaticidade da cena. A utilização da trilha musical também se dá de forma muito significativa. As músicas que são utilizadas servem de pano de fundo para as imagens, mas não têm significação própria. Há momentos que o ritmo serve apenas como interseção dos fatos. A posição ocupada pelas pessoas à frente dos demais elementos que compõem o enquadramento da cena, pode ser representada nos diálogos entre Paulo e a professora Sara. Ao mesmo tempo que dialogam, dramatizam os sentimentos. Por isso, a câmera alterna entre emissor e receptor no primeiro e segundo planos. Em outra situação, na hora da valsa, a câmera em movimento acompanha o bailado das personagens. O “travelling” escolta os passos na mesma velocidade.

Na obra, é nítida a intenção de mostrar a arte como algo contestador e essencial no processo de conscientização. O povo precisa de poesia e política. Por isso, Paulo usa as palavras como forma de combate ao sistema opressor. A união perigosa de interesses pessoais e poder é a materialização do “transe” da Terra. Essa conjuntura perigosa impossibilita a inversão da desigualdade. Nessa perspectiva, o desespero toma conta da protagonista. Uma das cenas mais reveladoras é apresentada com a citação do poema “Balada”, de Mário Faustino. A parte da imagem é atribuída a outro elemento da arte, a literatura.

“Não conseguiu firmar o nobre pacto

Entre o cosmo sangrento e a alma pura

Porém, não se dobrou perante o fato

Da vitória do caos sobre a vontade

Augusta de ordenar a criatura

Ao menos: luz ao sul da tempestade.

Gladiador defunto mas intacto

(Tanta violência, mas tanta ternura)”

Na última cena, Paulo se encontra num deserto. Ele está sozinho na luta pelos próprios ideais. Sendo assim, a perspectiva tem expressão simbólica. A voz que se cala em meio ao silêncio da solidão. A câmera lentamente se afasta. O distanciamento representa a explícita desistência em romper com os padrões vigentes na sociedade. Para ele, o mesmo que a morte.

quarta-feira, maio 12, 2010 • • 0 comentários

Criatividade e talento na arte que vem da rua

Numa arena improvisada na Avenida Beira Rio, o público aguarda ansioso o início do espetáculo pré-anunciado. Assim que o sol se põe no sábado, eis que surge de uma Kombi colorida a palhaça desengonçada, Keke Kerubina, que trazia consigo uma mala enquanto badalava um sino. A apresentação de Circo e Teatro de Rua, Circuluz Brincante, marca o encerramento dos três dias da Oficina Circularidades, realizada entre os dias 04 e 06 de maio em Imperatriz.

O ponto de apresentação, voltado para as margens do rio, é o encontro da arte com a nossa maior riqueza, o Tocantins. Durante a programação, a plateia se relacionou com diferentes linguagens cênicas: música, teatro e dança. Para o estudante de Comunicação, Erisvan Bone, as manifestações alternativas de cultura possibilitam maior opção para a comunidade. O teatro na rua pode ser conferido gratuitamente. Muitos que passavam pela Beira Rio, pararam pra dar uma espiada.

Em Circuluz Brincante, o diálogo entre a comicidade, cultura popular maranhense e habilidades circenses relevam o espectador como um brincante. Durante momentos mágicos e de grande animação, o público divide o palco com Keke. Os números de malabarismos – com ou sem fogo -, a acrobacia aérea no tecido, dança e nas palhaçadas, a comunicação é direta e a interação é visivelmente bem vinda. A palhaça nomeia os participantes de artistas olímpicos da rua.

Deve-se ressaltar, ainda, que as manifestações folclóricas da cultura popular maranhense são divulgadas pelo trabalho de toda a equipe do espetáculo. O economista mineiro, Wilson José Jr., assistiu à apresentação com a esposa e os filhos e afirmou que o projeto difunde e preserva a cultura maranhense. O pungado, que remete ao Tambor de Crioula, foi convite para entrar na roda. A ciranda encerrou a apresentação que teve cinqüenta minutos de duração, aproximadamente.

Projeto de Circulação - A Oficina Circularidades – Circo e Teatro de Rua, ministrada pela atriz e palhaça Raquel Franco, é fruto da pesquisa desenvolvida pela atriz, a partir do imaginário simbólico e social que envolve a ocupação dos diferentes espaços circulares. A partir disso foram delimitados o teatro de rua, o circo e a cultura popular como ponto de partida destas experimentações e pensamentos. Patrocinado pela Funarte – com o prêmio Miriam Muniz, o projeto circula por algumas cidades do Maranhão e, em Imperatriz, é apoiado pela Fundação Cultural e pela Casa das Artes.

De acordo com a representante da Fundação Cultural de Imperatriz, Lilia Diniz, a primeira apresentação realizada no Bairro Vila Cafeteira, na sexta-feira, reuniu cerca de 250 pessoas. Por meio do prêmio Funarte de Teatro Miriam Muniz, o projeto circulou por São Bento, Arari, Açailândia e Imperatriz. A trupe segue para ministrar oficinas em Balsas nos dias 11, 12 e 13 de maio.

segunda-feira, maio 10, 2010 • • 2 comentários


Desapego não é Desamor


domingo, maio 09, 2010 • • 1 comentários


Ainda que feches a janela, a luz não há de se apagar!

Colorindo o céu

sábado, janeiro 02, 2010 • • 3 comentários

Na tarde do último dia do ano de 2009, caiu em minhas mãos o longa de animação "Up - Altas Aventuras", produzido pela Pixar em parceria com a Walt Disney. O filme narra as aventuras do Sr. Fredricksen numa emocionante procura pelo Paraíso das Cachoeiras. Momentos da vida da protagonista, da infância até a velhice, são mostrados num apanhado de lindas imagens: o desejo de ser explorador da natureza, assim como o seu ídolo Charles Muntz, o encontro com a garotinha Ellie, o casamento, os planos do casal apaixonado, as dificuldades e a morte da amada. Na sequência de ações, é possível observar a mudança comportamental de Fredricksen. De um jovem feliz para um senhor só e ranzinza.Ao rever o Caderno de Aventuras de Ellie e após ser obrigado a se mudar para um asilo, o amargurado vendedor de balões decide se aventurar pela América do Sul, sonho dele e da esposa. No caderno, havia muitas páginas em branco que deveriam ser preenchidas com as descobertas no Paraíso das Cachoeiras. Como forma de levar a esposa na aventura, Fredricksen encheu vários balões multicoloridos, que fizeram com que a casa levantasse vôo, e partiu. Cada cantinho foi mantido cuidadosamente desde a morte de Ellie: as poltronas, os retratos, o lugar na mesa. Ele só não esperava que nessa peripécia, o pequeno Russel pegasse uma carona no dirigível.

A partir daí, destaco o que mais me chamou a atenção na trama. O fio condutor da narrativa são os laços de amizade e reciprocidade. A cumplicidade entre Fredricksen e o garoto Russell é a própria relação conflituosa do filme. [Levar a casa até o ponto desejado pela Ellie ou ajudar o garotinho a salvar a ave?] Através das ações das personagens, temos condições de entendê-las, a maior aventura deixa de ser a busca pelo pedacinho da Venezuela, onde se encontra o Paraíso das Cachoeiras, e passa a ser a procura da busca do equilíbrio. Acredito que Fredricksen só conseguiu voar por conta da presença de Russell. O garoto é a personificação do gás Hélio, que mais leve que o ar, sobe na atmosfera. Envolto em pensamentos pessimistas, na solidão e preso ao passado, Frederciksen não sairia do chão. Nesse sentido, os dois se completam, mesmo com a grande diferença de idade. Uma das cenas mais legais é quando o velhinho percebe que para ajudar o amiguinho, que sai para resgatar a ave, é preciso abrir mão de algumas coisas. Aí, Fredricksen joga fora os móveis da casa e vai se desfazendo, aos poucos, do passado. Para ser feliz é preciso se desprender dos maus pensamentos e se desapegar das coisas materiais. Frederciksen é o âncora, a sustentabilidade, os pés no chão. Russel é o sonhador, o cabeça nas nuvens. Assim, eles conseguem vencer todas as adversidades como os fenômenos da natureza e os inimigos.


Os diretores são Pete Docter (de Monstros S.A.) e Bob Peterson, desenhista dos dois Toy Story e co-roteirista de Procurando Nemo. Ah, a dublagem de Carl Fredricksen ficou por conta do Chico Anysio, o que familiariza mais ainda o velhinho.



Jura pirralho? Juro de coração!

No último dia do ano

quinta-feira, dezembro 31, 2009 • • 1 comentários

Passagem do ano

O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor
[da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebraçõesde aniversário, formatura, promoção, glória,
[doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o
[clamor,
os irreparáveis uivosdo lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vidaonde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do
[acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos
[séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras
[espreitam a morte,
mas estás vivo.
Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão esperas amanhecer.

O recurso de se embriagar.
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,l
ambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

ANDRADE, Carlos Drummond de. "A rosa do povo". In: Poesia completa.. Rio de Janeiro: Nova Aguilar,2002

No meio do caminho...

segunda-feira, dezembro 28, 2009 • • 0 comentários

Alvo de sucessivos atos de vandalismo, a estátua de bronze do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade, que fica no Rio de Janeiro, ganhou hoje uma câmera de segurança para inibir sua destruição. A escultura, em tamanho real, reproduz a figura de Drummond sentado, de costas para o mar, num dos bancos do calçadão de Copacabana. Segundo a prefeitura do Rio, a estátua já sofreu várias depredações. Desde 2007, os óculos já foram quebrados oito vezes.

No banco em que se encontra a estátua, há uma placa que exibe um verso do seu poema Mas Viveremos: “No mar estava escrita uma cidade”.


Uma orelha no embrulho

domingo, dezembro 27, 2009 • • 0 comentários

A forma subjetiva de perceber a realidade, valorizando a impressão dos movimentos na natureza, caracteriza o movimento artístico Impressionismo. Seguindo a tendência impressionista, surgiu um grupo que aprimorou as técnicas para encontrar novos caminhos para a pintura, os pós-impressionistas, formado por Cézane, Gaugin e Van Gogh.

Os amigos e pintores Vicent Van Gogh e Paul Gaugin, representantes do pós-impressionismo, dividiam a técnica no trabalho e a casa onde moravam, no sul da França. Após um período de ótima convivência, eles discutiram muito e Van Gogh atacou Gauguin com uma navalha em dezembro de 1888. Inconformado com o fracasso do ataque e completamente transtornado, Van Gogh cortou o lóbulo da própria orelha esquerda. Em seguida, o entregou a uma prostituta chamada Rachel.

Durante anos essa foi uma das justificativas da automutilação de Van Gogh. O distúrbio mental do renomado pintor, a disputa com Gaugin pelo amor de Rachel e o possível envenenamento com as tintas também são sinais que fizeram com que o mundo especulasse sobre a real motivação do pintor.
Um dos principais estudiosos da obra do pintor holandês, Martin Bailey, que escreveu um livro e foi curador de duas exposições sobre Van Gogh, revelou que o artista teria cortado a própria orelha após descobrir, através de uma carta, que o seu irmão Theodorus iria se casar. Como ele era sustentado pelo irmão, teve medo de perder o apoio financeiro. Ainda de acordo com Bailey, os irmãos trocaram mais de 750 correspondências, documentos fundamentais que serviram de estudo mais aprofundado da arte de Van Gogh.


Autorretrato com orelha enfaixada.
60 x 49 cm.
1889














A moldura que é diferente

quarta-feira, dezembro 23, 2009 • • 0 comentários

O Teatro Ferreira Gullar abre as portas nesta quarta-feira, a partir das 20h30, para o espetáculo musical “Emoldurando canções”, com Lourival Tavares. O show, que marca o encerramento da programação do teatro em 2009, conta ainda com a participação de Neném Bragança.

Evento? Emoldurando canções
Onde? Teatro Ferreira Gullar
Que horas? Às 20h30
Quanto? R$10
Com que roupa? Numa velha calça xadrez

Para ouvir: http://www.myspace.com/lourivaltavares

HDTV em São Luís: mais do mesmo

segunda-feira, dezembro 21, 2009 • • 0 comentários

A transmissão do sinal da TV digital em São Luís vai operar em caráter definitivo. Hoje, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, assina os termos de consignação dos canais digitais para as emissoras da cidade. No contrato com o Minicom, serão beneficiadas três emissoras da capital: a TV Mirante (afiliada da Rede Globo), a Rádio e TV Difusora (afiliada do SBT) e a Empresa Brasil de Comunicação – EBC.

Ficando cada vez mais difícil eliminar o monopólio da informação, mais uma vez observamos que os interesses privados prevalecem sobre os públicos. Com essa repetição, não dá pra esperar uma multiprogramação.

Salvando a Pátria: A lei que criou a EBC diz que a empresa deve assegurar as condições operacionais necessárias à implantação da Rede Nacional de Comunicação Pública, que inclui as TVs do Poder Legislativo (Câmara e Senado), do Executivo (NBR) e do Judiciário (TV Justiça), a TV pública federal (TV Brasil), da própria EBC, e as novas redes estatais previstas no decreto da TV Digital: Canal da Educação, Canal da Cultura e Rede da Cidadania (que serão geridos pelo Ministério das Comunicações).

Na Confecom

terça-feira, dezembro 15, 2009 • • 0 comentários

Nos cinco minutinhos que consegui para escrever sobre a Conferência Nacional de Comunicação - Confecom, utilizo, metaforicamente, os versos de Cruz e Sousa, carregados de musicalidade e jogos de aliteração. Fica a dica!


"(...)
Vozes veladas, veludosas vozes,
volúpias dos violões, vozes veladas,
vagam nos velhos vórtices velozes
dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas"

(Violões que choram)

Acompanhem a transmissão (quase) ao vivo da Confecom: http://www.confecom.gov.br/transmissao

Não dêem ouvidos ao Jornal Nacional, pelamordeDeus!!!

Entrada para raros

sexta-feira, dezembro 11, 2009 • • 2 comentários


A sensorialiadade como parte da percepção da realidade, alternando-se entre fantasia e cotidiano, é a senha para a entrada no universo do Teatro Mágico. Cheios de motivo para celebrar, a Companhia musical e circense do Teatro Mágico completa seis anos de aventuras, malabarismos e engajamento social.

Num sábado qualquer de 2005, zapeando esperançosa por uma opção legal, fiquei empolgada com a performance de um cara com o rosto pintado declamando poesia no Programa do Raul Gil. Toda aquela manifestação cultural, que misturava versos, música, circo e teatro, salvou a minha tarde. Desde então, acompanho o sarau amplificado do TM. Na junção desses elementos, o grupo já lançou dois álbuns: “O Teatro Mágico para Raros” e “O Teatro Mágico: Segundo Ato”.

As letras com um perfil contestador questionam os modelos impostos, trabalhando em prol da cidadania e dando voz aos vários discursos vulneráveis socialmente. Esse diálogo atinge o público com diferente perfis e características. Há também canções para embalar o coração e curtir uma paixão: “Ah, só enquanto eu respirar vou me lembrar de você”. De qualquer maneira, a poesia prevalece!

O que se perde enquanto os olhos piscam? Com essa indagação, cerca de 400 pessoas acompanharam a gravação da primeira versão da música que tem a pergunta como título, ao vivo pela internet. A composição coletiva e interativa já é uma das mais baixadas.

Música rara em liquidação – A favor do livre compartilhamento de arquivos musicais na internet, o Teatro Mágico lidera o movimento Música Para Baixar (MPB). Como bem definiu a Folha de São Paulo, a trupe está cada vez mais longe da mídia e perto do público. Participe do Sarau: picadeirodoTM

Senhoras e senhores, respeitável público, em tempos onde o sentir é banalizado em relação ao pensar... é cada vez mais rara essa entrada!

Com direito a reflexão e ironia

quinta-feira, dezembro 10, 2009 • • 0 comentários



COTA ZERO



Stop.
A vida parou
ou foi o automóvel?




Carlos Drummond de Andrade
em "Alguma Poesia", 1930






Melodia dos pássaros - música eletrizante

terça-feira, dezembro 08, 2009 • • 1 comentários




"É através da representação simbólica que nos apropriamos do mundo"
(Gilbert Duran)


A disposição dos pássaros nos fios elétricos em Santana do Livramento, interior do Rio Grande Sul, despertou o olhar de Paulo Pinto, repórter fotográfico do Estadão. Impressionado com a imagem, o publicitário Jarbas Agnelli compôs uma música baseada nas notas musicais compreendidas simbolicamente. A interdisciplinaridade entre fotografia e música pode ser conferida na doce melodia:


Ecoando por toda parte

segunda-feira, dezembro 07, 2009 • • 0 comentários

A atividade humana é a maior responsável pela mudança climática, alterando a composição da atmosfera mundial. Em busca de acordos que reflitam um compromisso com o desenvolvimento sustentável, representantes de 193 países estão reunidos em Copenhague, capital da Dinamarca, na Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

O encontro tem por objetivo estabelecer um pacto global de redução das emissões de gases do efeito estufa, em substituição ao Protocolo de Kyoto, que vigora até 2012. O novo ciclo de desenvolvimento deve ser pautado pelos desafios impostos em conseqüência do aquecimento global, como o compromisso de limitação de emissões de gases de efeito estufa, a redução do desmatamento das florestas e, principalmente, o enfretamento à insuficiência de água potável.

Em “Sentimento do mundo”, publicado em 1940, Carlos Drummond de Andrade lança um olhar crítico sobre o mundo à sua volta. Ele retrata as guerras e o poder de destruição do homem.


Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Segundo o portal G1, na cerimônia de abertura da Conferência, o secretário-executivo da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança Climática, Yvo de Boer, destacou que “Chegou o momento de darmos as mãos”. Na mesma obra em que foi publicado “Congresso Internacional do Medo”, Drummond anuncia a solidariedade humana.

Mãos dadas

Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros.
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considero a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história,
não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela,
não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins.

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.

Humor (Rubro) Negro

domingo, dezembro 06, 2009 • • 0 comentários

Euforia rima com romaria que rima com gritaria que rima com alegria que rima com tirania que rima com fantasia que rima com melodia que rima com a Maioria

Apesar de ser flamenguista (segundo o meu pai, desde pequenininha), nem fiquei empolgada com a conquista do hexacampeonato. Perdoem a minha indiferença com a final da Série A do Brasileirão 2009, 'quêqueeupossofazer!?'

A lenda do peixe francês

sábado, dezembro 05, 2009 • • 0 comentários

Nem só da Lenda do Cabeça de Cuia vive o povo do Piauí. As aventuras de um triste peixe francês, que se apaixona pela linda moça de louça, no décimo terceiro mês do ano, fazem parte do folclore surrealista e pós-moderno piauiense. “A lenda do peixe francês” está no segundo cd da banda Validuaté, lançado em julho desse ano. O álbum intitulado “Alegria girar” é cheio de humor, magia e encantamento.

Composta pelos irreverentes Quaresma (voz), Thiago e (cavaquinho e pandeiro), Vazin (guitarra), Júnior (guitarra), Wagner (baixo) e John Well (bateria), a Validuaté já toca o terror e faz a alegria girar nas noites teresinenses e adjacências há 5 anos. Com o disco de estréia, “Pelos pátios partidos em festa”, de 2008, a banda ganhou o reconhecimento do público. Sobre o segundo trabalho dos meninos, o poeta maranhense Ferreira Gullar disse:

caminhos não há
mas os pés na grama
os inventarão

aqui se inicia
uma viagem clara
para a encantação

O próprio Gullar narra os versinhos acima na faixa de abertura do cd. Depois, os cantores Zéu Brito e Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) participam da divertidíssima “Bruta como antigamente” e da fantástica “O Hermeto e o Gullar”, respectivamente. Em “A Lenda do Peixe Francês”, o dublador Isaac Bardavid, que faz a dublagem das personagens Esqueleto (He-Man) e Wolverine (X-Men) empresta a voz para contar um trecho da estória do peixe.

Não consegui escrever uma linha sequer sem o uso de adjetivações. Isso empobrece o texto, mas é impossível não ser passional falando sobre o som dos caras. Sem dúvidas, pra mim, Validuaté foi/é a descoberta do ano! Letras como “A Lenda do peixe”, “Eu só quero acabar com você”, “A onda”, “Superbonder”, “Eu preciso de você” compõem o top five na minha playlist!

Vejam “Eu preciso de você”, de Márcio Greyck, na versão Validuaté. Música boa sem prazo de validade!


Efeitos de fim de ano

sexta-feira, dezembro 04, 2009 • • 1 comentários

Trabalhos, provas, prazo curto para entrega de projeto, calor, sono, ansiedade, rotina, “mimimis” desnecessários (se é que me entende), três confraternizações no mesmo dia, reflexão sobre o ano que está acabando, negligência com as propostas do Maranhão na Confecom e gente maldosa por perto são os responsáveis pelo meu esgotamento físico e mental. Ah, eu quero férias!


Na pegada do funk

quarta-feira, dezembro 02, 2009 • • 0 comentários

O disco “Cidadão do Bem”, do Leo Maia, estava no cantinho da prateleira empoeirada da única loja de departamentos da cidade que ainda comercializa cds e dvds. Atraída pelo precinho camarada, apenas R$5, quis levar pra casa na mesma hora.

Lançado em 2008 pela LGK Music, o segundo trabalho do cantor, que é filho do Tim Maia, mistura ritmos como rock, funk, black e soul. No repertório, 13 canções, sendo oito autorais e duas com parceiros. Além de regravações como "Baby" de Caetano Veloso, "Como Vovó Já Dizia" de Raul Seixas e o clássico "Eu Amo Você", de Cassiano, eternizado na voz de Tim Maia que gravou a música no seu primeiro LP, de 1970.


Pra nunca mais dizer adeus não saiu do modo 'repeat'

você pintou meu quarto de rosa
virou estrela em todo lugar
pra tudo ficar divino e maravilhoso
pra você será e pra mim como vai ficar?


No embalo das promoções, comprei “Jeito Moleque Ao Vivo na Amazônia” (Sim, sim, adoooro pagode! O disco anterior dos moleques, também Ao Vivo, comprei assim que lançaram) e “Âmbar”, da Bethânia. Ainda não deu pra ouvi-los.