quinta-feira, agosto 07, 2008 0 comentários

Voto não tem preço, tem consequências!

O Comitê da Cidadania de Imperatriz realizará o Seminário Regional "Combatendo a Corrupção Eleitoral", em parceria com a Cáritas Regional e a Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (Ampem). O evento acontecerá dia 09 de agosto, sábado, no auditório da Faculdade Santa Terezinha (Fest), das 8h às 16h.

O encontro cobrirá treze municípios da Região Tocantina que compõem a Diocese de Impertariz. As inscrições podem ser feitas na sede do Comitê da Cidadania, na Av. Dorgival Pinheiro de Sousa, 396, 1° andar. Ou ainda, pelos telefones (99) 3524-8665/ 3524-8652, com a Ir. Vanderléia ou Francisco Martins.

O Comitê da Cidadania é uma organização popular da sociedade civil de Imperatriz. Dele, podem e devem participar todos os credos religiosos e todas as pessoas que não compactuam com a injustiça e desejam fazer algo concreto para que nossa sociedade seja de fato justa e solidária. As reuniões acontecem na primeira 4ª feira de cada mês, às 19h, no Clube das Mães - Núcleo Nossa Sra de Fátima. Rua Aquiles Lisboa, 50 - Centro. As portas estão abertas para as pessoas de boa vontade.

São três os eixos de atuação do Movimento de Combate à Corrupçaõ Eleitoral:


Fiscalização
O objetivo deste eixo é assegurar o cumprimento da Lei 9840 por meio do recebimento de denúncias, acompanhamento de processos e encaminhamento de representações junto aos órgãos competentes.

Educação
Visa contribuir para a consolidação de uma consciência dos eleitores de que "voto não tem preço, tem conseqüências". Para isso, podem ser realizados encontros, palestras e seminários.

Monitoramento
Com este eixo, o MCCE realiza tanto o monitoramento das ações do parlamento brasileiro em relação à Lei 9840, como também o controle social do orçamento público e da máquina administrativa, objetivando evitar desvio de recursos com finalidades eleitorais.

terça-feira, agosto 05, 2008 0 comentários

Senhoras e Senhores: Respeitável Público


Acabei de assistir ao espetáculo do Circo Popular do Brasil. São 23h10. Crianças no colo dos pais, umas dormindo, outras ainda eufóricas, se despedem com um lindo sorriso de adeus. A arquibancada esvaziando. Os espectadores retornam às suas casas, os artistas recolhem-se em seus aposentos. Boa Noite. Até a próxima.

Com a lona esticada na Beira Rio há três semanas, um letreiro luminoso anuncia: Marcos Frota Circo Show. O relógio marca 20h30, 26°. No estacionamento, “palhaços flanelinhas” sorridentes. Deparei-me com um senhor de chapéu e botas pretas cantando “Lay Lady Lay”, de Bob Dylan. Troquei duas palavras com o Dylan latino. Tempo suficiente pra ele me empurrar um de seus cd´s, desembolsei R$ 5. Sentei ao lado de crianças que chantageavam os pais para comprarem bugigangas circenses.

Que rufem os tambores! Uma voz nos recepciona e adverte: - Proibido fumar e proibido filmar sem autorização prévia. O circo apresenta diversas artes: malabarismo, palhaço, acrobacia, equilibrismo e magia. Há influência de outras linguagens artísticas como a dança e o teatro. Feitos fantásticos realizados por quase heróis.

O garoto se equilibra em uma bicicleta arrancando poucos aplausos da platéia, ainda tímida. Em seguida, uma música instrumental acompanha os passos leves e sutis da menina que se enrola num tecido cor de rosa preso ao teto, parecendo uma serpente. Ela despenca lá do alto, parando a poucos centímetros do chão. Os artistas usam uniformes e máscaras que escondem a verdadeira identidade, dignas de heróis, mas eles são de carne e osso. Um suspense paira no ar. O Mágico aparece numa cena cheia de efeitos. Vestindo capa preta, cabelos embebidos em gel e óculos escuros dando um tom de mistério, parecendo o “Homem-Morcego”. Sua assistente convida alguém da platéia para participar do número. Há uma certa resistência, mas uma garota acaba aceitando. Ele atravessa o pescoço da convidada com uma espada. A mágica causa mais riso que espanto. Os palhaços invadem a arena entusiasmando com “Festa no apê”. As crianças no gargarejo sabem a letra de cor. Um deles, o Batatinha, traja o figurino da principal personagem de Charlie Chaplin, o “Vagabundo”. O trapezista rodopia dando giros no ar. A luz projeta sua sombra na cortina vermelha brilhante. Ele parece um menino feliz, livre e despreocupado. Recorda “Peter Pan”. Em seguida, um rapaz com uma capa vermelha e os músculos de fora sobrevoa a platéia preso a um cabo de aço, “Super-Homem”. Enquanto uma mulher vestida de odalisca requebra seus quadris e atrai todos os olhares, assistentes entram e saem carregando equipamentos, camuflando-se na escuridão da cochia. Logo após, o casal Jorge e Mirian demonstra concentração nos malabares com fogo. São aclamados! Entra um humorista baixinho, “Bobo da Corte”, não convence muito. A platéia fica indiferente. Homens seminus apresentam uma coreografia com tochas, reverenciando uma mulher que simultaneamente faz contorcionismo. Um forró do saudoso Gonzagão dá vida às travessuras da boneca de pano colorida e retalhada (que não é a Emília de Lobato), parece a “Mulher-Elástico”. O equilibrista completa dois giros de 360° a 6m de altura. A descida por uma corda é triunfante, como o “Tarzan”. Uma partida de futebol é simulada na cama elástica. Um dos jogadores, saltitante como a Daiane dos Santos, dá um duplo twist carpado. O naufrágio do Titanic anuncia o intervalo.Tempo para preparar a arena.

Ao som de Beatriz, de Chico Buarque, a bailarina de branco desliza sobre o palco e os trapezistas se aquecem. Eles usam malha branca com uma estrela vermelha. A mulher-trapezista deixa a platéia boquiaberta, parece ter super poderes. Remete a “Mulher-Maravilha”. Marcos Frota narra a tradição e a história do circo. Parafraseando a Oração de São Francisco, ajoelha-se e beija o picadeiro. Canta e dança a música tema do seu último personagem na telenovela global das oito, o Jatobá. “Estou guardando o que há de bom em mim...”. Cai a luz. O breu leva ao choro, muitos soluços e crianças amedrontadas. O palhaço num terno cor de rosa interpreta “Ne me quitte pas”, de Jacque Brèl, num cenário que lembra um cabaré parisiense do século passado. Sua perfomance afeminada arranca muitos sorrisos. O maestro toca saxofone ao vivo. Marcos Frota, embaixador do circo, entra com a bandeira nacional, coisa bonita de se ver. Cantando Nossa Senhora ele faz um apelo para que o respeitável público prestigie o circo e não deixe essa arte morrer. O final frenético ao som de “Dancin´g Days” traz os artistas de volta ao palco. Momento marcante do espetáculo. Eles são ovacionados!

Só pra lembar!

domingo, agosto 03, 2008 0 comentários

Artistas protestam contra o descaso na cultura
Luta diferente, sem cartazes ou faixas, mas com música, teatro e batida de tambor


A obstrução do prédio da antiga biblioteca municipal não impediu a manifestação


Na sexta-feira, dia 09 de maio, por volta das 17h, artistas, professores, estudantes e lideranças comunitárias protestaram, em frente ao prédio da antiga Biblioteca municipal, próximo a escola Dorgival Pinheiro de Sousa, por políticas públicas voltadas à criação e manutenção da cultura local. Misturaram farra, poética e descontentamento. Essa foi a única manifestação de contrariedade e engajamento para chamar a atenção da sociedade. O povo que passava, parou e ouviu. Nem a chuva atrapalhou. Com a participação da trupe Além da Lona, de Campinas, o público fez arte no pátio da escola Dorgival.

Enquanto isso, no imóvel abandonado, funcionários da prefeitura obstruíam a entrada com tapumes, uma vedação provisória. Alegavam cumprir ordens. Até onde sabiam, o prédio – há quatro anos desativado - passaria por uma reforma. Por conta disso, seria necessário isolá-lo para evitar acidentes. Evasiva para mascarar o desejo de uma minoria despreocupada com o atual desamparo do lugar.

No IV Fórum Municipal de Cultura, que ocorreu nos dias 02 e 03 de maio, no Teatro Ferreira Gullar, a classe artística, que conta com o apoio de 40 entidades, discutiu o sistema municipal de cultura e decidiu, como uma das ações do movimento, ocupar espaços públicos abandonados e transformá-los em pontos culturais. A atitude não se restringe a ocupação. O objetivo é mobilizar a sociedade e movimentar o espaço com organização e planejamento. Ocupar com arte e compromisso.
Os artistas resolveram colocar a público o descaso que a cultura vem sofrendo no governo municipal. A convocação para a manifestação havia sido abertamente disseminada. Nesse ínterim, a prefeitura pronunciou-se sobre a reforma e a retomada da antiga biblioteca, ainda este ano. Sendo que, até então, não havia qualquer projeto a ela destinado. De acordo com o secretário de Educação, Moab César, que nem se encontra na cidade, mas deixou a fala reproduzida, o dinheiro está reservado para ser aplicado nos serviços, aguardando somente o processo licitatório para que as obras sejam iniciadas o mais rápido possível. Inquestionavelmente, a assessoria precavera-se para o protesto.

“O que tem acontecido é de os governos usarem os recursos da cultura para o interesse de poucos. Ou seja, fazem eventos governamentais em que se beneficiam. Enquanto isso, o cinema, o teatro, a música e as letras agonizam,” diz Carlos Leen, aluno do curso de História, na Uema.

Durante o manifesto, uma plenária levantou reflexões e discussões sobre a melhoria e preservação do lugar. Surgiram propostas como a restauração, o aproveitamento do espaço para criações artísticas, apresentações de trabalhos, exibição de filmes. A idéia é resgatar o que foi deteriorado. Segundo Lília Diniz, atriz, escritora e militante cultural, há falta de autonomia e democracia na distribuição de recursos que apenas vão para projetos que dão retorno de mídia ou dividendos políticos. A crítica foi dirigida à Fundação Cultural de Imperatriz, cujas políticas de cultura não dão conta da vida artística que acontece na cidade. “Nós queremos ser ouvidos e participar do processo,“ completa.

No sábado, a ‘liga da limpeza’ realizou o mutirão da vassoura. Muita gente com rodo, sabão em pó, detergente, a fim de higienizar o ambiente, que estava deplorável, colocou a mão na massa. Além disso, fizeram contorcionismo, malabarismo e muita palhaçada.

Com toda certeza, a participação massiva de pessoas comprometidas é de extrema importância para a preservação do patrimônio local e a propagação de uma cultura plural e descentralizada.
ALDA

Alva, do alvor das límpidas geleiras,
Desta ressumbra candidez de aromas…
Parece andar em nichos e redomas
De Virgens medievais que foram freiras.

Alta, feita no talhe das palmeiras,
A coma de ouro, com o cetim das comas,
Branco esplendor de faces e de pomas
Lembra ter asas e asas condoreiras.

Pássaros, astros, cânticos, incensos
Formam-lhe aureoles, sóis, nimbos imensos
Em torno a carne virginal e rara.

Alda fez meditar nas monjas alvas,
Salvas do Vicio e do Pecado salvas,
Amortalhadas na pureza clara.



Soneto publicado em “Broquéis”, de Cruz e Sousa*, obra que inaugura o Simbolismo no Brasil, em agosto de 1893.

João da Cruz e Sousa nasceu em Desterro, atual Florianópolis. Filho de escravos alforriados foi acolhido pelo Marechal Guilherme de Sousa e sua esposa como o filho que não tinham. Foi educado na melhor escola secundária da região, mas com a morte dos protetores foi obrigado a largar os estudos e trabalhar. Sofreu uma série de perseguições raciais, culminando com a proibição de assumir o cargo de promotor público em Laguna, por ser negro. Em 1890 foi para o Rio de Janeiro, onde entrou em contato com a poesia simbolista francesa e seus admiradores cariocas. Casou-se com Gavita, também negra, com quem teve quatro filhos. Sua mulher enlouqueceu e passou vários períodos em hospitais psiquiátricos. O poeta morreu aos 36 anos de idade, vítima da tuberculose, da pobreza e, principalmente, do racismo e da incompreensão.
Alguns estudiosos da vida e obra do poeta acreditam que Alda fora o seu grande amor!